8/10

Dotado de visuais bonitinhos e um charme inegável, Pikmin 3 foi para mim uma grande surpresa, assim como quase todos outros títulos que joguei para o WiiU. A premissa do jogo é que você é de uma raça de humanóides cuja espécie está com a comida ficando escassa, então você e mais dois astronautas tem de ir para um planeta distante encontrar comida. Porém, nesse planeta a sua nave acaba caindo. Você então conta a ajuda de uma espécie de nativos chamados de Pikmin para coletar comida, resolver um mistério e restaurar o componente da sua nave que te permite voltar ao seu planeta. A história do jogo não é nada de excepcional, mas serve como um bom motivo para manter o jogador motivado.

Uma das mecânicas que tem uma boa conexão com a história é o fato de você precisar de coletar comida. O jogo tem um limite de tempo, no qual a cada dia (correspondente a 14 minutos da vida real) você precisa de coletar todos seus Pikmins soltos pelo mapa, senão eles irão morrer. Ao fim do dia, é consumida uma unidade de suco. Assim, pode se dizer que o jogo possui um limite de tempo que dá um senso de urgência à sua missão. No começo do jogo, a busca pela comida te coloca agoniado, mas rapidamente você coleta frutas o suficiente para ter uma ou duas dezenas de dias sobrando com tranquilidade. Esse balanceamento na mecânica do limite de tempo foi muito bem feito, pois te dá um senso de urgência, mas não um que seja tão desesperador que não te permite explorar os belos mapas do jogo. Portanto, Pikmin 3 é mais um jogo sobre exploração do que sobre sobrevivência.

O jogo fez um bom trabalho em tornar exploração algo encorajado e divertido. Além de não dar muitos indicadores diretos de onde prosseguir para avançar num mapa, existem diversos segredos escondidos para quem possuir os Pikmins necessários e a vontade de buscá-los. Nota-se também ferramentas muito inteligentes de design em todos os mapas, que deixam claro que embora elas não ofereceram dicas diretas de como o jogo deve prosseguir, por vez fazem com que o jogador nunca esteja perdido. O fluxo de como os níveis prosseguem é bem tranquilo, e você se sente como estivesse sendo desafiado a resolver puzzles e microempreender sem que seja frustrante. Você é basicamente guiado pelo game design ao próximo objetivo, mas de uma maneira natural que não te faz perceber isso. Você também é permitido muito melhor exploração e eficiência podendo separar seu esquadrão em 3 comandantes, que podem ir para onde querem no mapa e serem alternados entre um e outro a qualquer momento. Eu não usei muito dessa função além de quando necessário e para coordenar certas missões de coleta, mas é uma opção que interessaria muito jogadores mais sérios.

Outro ponto bem positivo do jogo são os bosses. É complicado um jogo de ação-estratégia como Pikmin implementar bosses de uma maneira que eles encompassem os dois elementos principais do jogo (ação e estratégia), mas eles conseguiram. Todos os bosses são encontrados em um tipo de arena, onde só existem eles e seus Pikmins. As lutas são intuitivas e desafiam tanto sua habilidade de desviar de ataques e coordenar ataques quanto sua habilidade de pensamento estratégico, tudo com idéias criativas e divertidas.

A gamepad é muito bem utilizada nesse jogo, servindo tanto como seu controle tanto como a gamepad dos seus personagens, onde eles recebem intel e podem olhar o mapa e enciclopédias em tempo real. Os controles touch da gamepad são meio complicados de se ajustar no começo, e me vi errando muitas jogadas idiotas simplesmente porque eles não foram muito intuitivos, já que se estiver jogando na TV, você precisa tocar na gamepad sem saber pra onde está mirando exatamente, a não ser que tome seu tempo para focar. Jogando apenas com a gamepad, sem TV, o problema foi reduzido, mas ao custo de não poder ter o mapa em tempo real. Porém, me foi dito que o jogo foi melhor jogado com o WiiMote, que infelizmente não testei.

Outro problema que tive com o jogo foi com a inteligência artificial de seus Pikmins, que pode muitas vezes ser frustrante. Pikmins tem um péssimo pathfinding caso estejam apenas te seguindo, e muitas vezes ao fazer curvas fechadas com muitos Pikmins vários deles caíam na água, o que é fatal para a maioria deles. Isso me causou certo estresse, já que eu tinha que andar mais devagar para garantir que meus Pikmins não ficariam presos numa barreira durante uma curva. Pikmins também são basicamente nada sem receber uma ordem, e muitos deles após completar uma tarefa ficavam parados mesmo sendo atacados por inimigos. Também faltou certas opções de controlar os Pikmins melhor, como poder dar ordens mais complexas ou mandar todos Pikmins de certo tipo atacarem um inimigo especifico ao mesmo tempo.

Os problemas de Pikmin são realmente apenas pequenas frustrações que ocorriam de vez em quando, e o jogo em geral é uma experiência bem acalmante. A sensação de acordar durante um dia e organizar sua expedição para explorar um planeta alienigena e coletar comida, tudo antes do anoitecer, era bem refrescante e imersiva. A qualidade HD do WiiU e a trilha sonora ajudaram a colocar um tema relaxante e misterioso no jogo, como uma bela aventura em uma floresta desconhecida. Acredito que Pikmin explorou muito bem os temas que queria explorar, usando todos os recursos de video, áudio e game design que puderam para melhorar a experiência. Foi um jogo que adorei jogar e me diverti do começo ao fim, cada vez mais.

Reviewed on Nov 03, 2020


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