Most


Um bobeirol super divertido com cutscenes extremamente criativas e excêntricas. Estava me entretendo consideravelmente.

Mas infelizmente o Japão sofre seriamente da síndrome "não consigo fazer uma comédia bacana sem estragar tudo enfiando um plot dramático sem pé nem cabeça"


Primeiramente, sobre o visual: É inconsistente.
Alguns personagens são bem acabados, como os Loud que são muito bonitinhos e tem ótimas animações, e outros são horríveis, como o Danny Phantom e os de Avatar que sofreram muito na conversão pra 3D. Diria que os personagens mais humanoides são os que ficaram piores, e com certeza são os que mais pecam em animação.

Os cenários até que são bons. Temos visuais bem bonitos e com senso artístico aqui e ali, como o da caixa d'água com aquelas cores vaporwave muito estilosas. Creio que os estágios estáticos se sobressaem mais que a maioria dos personagens por terem movimentos.

Agora, onde o jogo provavelmente mais peca: O som.
A trilha sonora não é tão ruim, mas se torna extremamente repetitiva por ter apenas uma música em cada estágio, além do tema de vitória ser o mesmo pra todos os personagens.

A sonoplastia tem qualidade de efeitos genéricos comprados prontos. Não é terrível, mas dificilmente elogiável e sem identidade nenhuma. E eu acho muito frustrante alguns efeitos mais sutis, que trariam muita vida aos personagens, serem completamente negligenciados, como sons de passos, por exemplo. Fala sério, só eu senti falta do barulho clássico dos sapatos do Bob Esponja?

E um último problema enorme pra fechar essa categoria é o fato de que nenhum personagem tem voz. O jogo é simplesmente mudo. Como puderam ignorar dublagem num jogo crossover com personagens icônicos? Inaceitável.

Bom... Depois de todas as críticas, eis o principal motivo pra eu dar uma nota positiva: A gameplay.

Apesar de todos os pecados, o jogo consegue acertar no principal fator pra nos divertir. As mecânicas de combate são muito funcionais e as batalhas são bem rápidas. Digno de uma tentativa competitiva de clone de Smash.

Não é perfeito e tem muitas limitações aqui também, mas de longe é onde o jogo mais acerta. Gastei horas com amigos aprendendo mais sobre as mecânicas e evoluindo as partidas cada vez mais, como um bom jogo de luta.

Então, concluindo:
O jogo é muito rústico e tem legítima dificuldade de nos fazer sentir a presença dos personagens e o impacto das lutas. Em muitas instâncias, realmente é o bootleg barato que parece ser, e é difícil perdoar muitos problemas técnicos. É bem cru e precário.

Contudo, consigo ignorar muitos desses deméritos durante as partidas divertidas que tiro com amigos. A gameplay competitiva, embora tenha consideráveis pendências, realmente o salva muito como jogo.

Vale a pena pra quem gosta de platform fighting e/ou não tem um Nintendo Switch pra curtir Smash.


Gostaria de iniciar esse textinho com meus elogios, então vamos começar ressaltando os valores do jogo.

Primeiramente, ostenta uma trilha sonora tão boa quanto o esperado e tem gráficos bem bonitos (a iluminação é ótima). Mas o que eu mais apreciei não está no audiovisual, e sim na gameplay, pois o que me cativou no jogo foi as batalhas.

Remodelando a jogabilidade para algo mais fluído, eles conseguiram um resultado fascinante. Porque os confrontos em tempo real são muito dinâmicos, mas ao mesmo tempo preservam um pouco o formato de turnos com aquelas barras de ação. É extremamente divertido e muito bem bolado, nunca vi nada do tipo. Além de único e criativo, honra o estilo do jogo original. Foi uma excelente adaptação, as bossfights são bem empolgantes.

No texto, eu até gostei de como o mistério é alimentado com o Sephiroth aqui e ali, mas o que eu mais aprecio de verdade é o Cloud. O caso dele é muito interessante, pois ele é colocado naquele papel genérico de protagonista edgy e desapegado, só que o restante da obra não dá pano pra esse arquétipo. Toda a história e os personagens que o cercam só o arrastam pra rotinas mundanas comuns e situações cada vez mais embaraçosas, então o jogo subverte totalmente o ideal de protagonista e brinca muito com o personagem. Eu adorei isso e acredito que possa ser um excelente trabalho de personagem se esse fator for bem desenvolvido e deixar de ser apenas cômico.

Encerrando os elogios, dou uma moral pro Barret, que faz um ótimo papel na party, e digo que a reta final teve uma crescente interessante (os últimos momentos são bem empolgantes).

Agora, iniciando os problemas do jogo, vamos começar com o maior deles: Fora das batalhas, tudo é extremamente travado e mecânico.

Diferente da gameplay, não foi conduzida uma boa adaptação nos dramas e nos momentos sérios da história. Há dezenas de passagens pacatas que tentam nos conectar com o mundo e os personagens, mas nenhuma delas é nem um pouco natural. São momentos importantes pra criar atmosfera, retratar ambientes e aproximar os personagens, só que é tudo MUITO artificial e nada orgânico. A atuação é extremamente forçada e caricata, a direção só começou a ser ativa na reta final do jogo (nas partes mais tensas), e nenhuma das relações dos personagens passa nenhuma credibilidade. Os dramas chegam a ser cômicos de tão plásticos.

Eu entendo que há uma forte suspensão de descrença e que não deve-se exigir realismo desse tipo de obra, mas toda a parte viva da história PRECISA EXALAR VIDA. E nesse quesito, é um fracasso total. Existe um conflito de tom estridente na estrutura do jogo, onde ela acerta num propósito (ação e batalhas) e falha no outro (dramas e atmosfera).

Sinto que o formato do jogo foi elaborado visando totalmente as missões principais e os momentos em que a história progride com ação (onde há muito valor de gameplay) mas negligenciando completamente a transposição desses momentos autênticos. Eu não joguei o jogo original, mas consigo visualizar esses momentos funcionando melhor no estilo de RPG limitado dos anos 90, então deduzo que eles tiveram muita dificuldade com a tradução dessas partes pra um modelo cuja escrita vai além de uma caixa de texto.

Bom... Mudando um pouco o tópico, eu realmente gostaria de falar sobre a Tifa. Nenhum personagem aqui é muito bom, mas vejo valor no Cloud e no Barret. Como citei antes, eles agregam para a história. Porém, faço questão de manifestar minha decepção gigante com a eternamente louvada heroína desse jogo. A Tifa é um dos personagens mais rasos e genéricos que eu já vi na vida. Não houve o mínimo de esforço pra conceber essa figura, gosto de brincar dizendo que a personalidade dela é definida por "gostosa". É tão fácil visualizar como ela poderia ter um carisma meio desleixado que relaciona bem com a função de brawler dela e traria virtude pro grupo, mas é apenas a menina gentil genérica sem um pingo de encanto, até o visual dela é sem identidade. A Aerith não é muito elogiável também, mas acredito que a figura meiga dela comunique melhor com o papel que ela exerce na história, então tá perdoado.

Enfim... Voltando um pouco à gameplay, também queria manifestar minha insatisfação com tudo que não se encaixa nas batalhas boas que citei lá em cima. Pois fora da ação, o jogo se resume a apêndices pra enrolar o ritmo da história e puzzles extremamente travados e sem graça nenhuma. Os momentos que se destacam mesmo são as missões dos reatores e o resgate à Aerith, todo jogo fora disso é simplesmente triste.

E sendo chato aqui pra dar um toquezinho final nos meus problemas, eis uma instância que eu nunca imaginaria falhar: A legenda. Com um mínimo conhecimento de japonês, já foi evidente pra mim que a tradução não estava coletando com precisão os diálogos. Muito esquisito.

Conclusão:
A experiência é muito 8 ou 80. De missões empolgantes com ótimas batalhas e maravilhosa trilha sonora, pra puzzles chatos e dramas mecânicos com personagens muito mal transpostos. O ritmo é uma montanha russa.

5.5/10


Simples e limitado, mas cumpre muito bem o papel de ser um mini-smash mais acessível à quem não tem console da Nintendo. Há criatividade inegável nos movesets e dá pra perder boas horinhas com amigos.